quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Surpresa agradável

Hora atualizada. 15:55h. O ar condicionado mantém a temperatura suportável na Sala 4 do Bloco C, do Setor 2 da UFRN. Depois de um início de manhã conturbado e onde por pouco fiquei sem opção de atividade, acabei deslocado para assistir uma oficina sobre Jornalismo e Revista – da pauta a edição, ministrada pelo jornalista e editor da Revista IMPRENSA Rodrigo Manzano.

De certo, e de momento, os quinze minutos de “break” para o cigarrinho do Manzano ou um copo de água para restabelecer as energias. A sensação de quentura e estafe é constante em Natal, a qualquer hora do dia. É preferível permanecer diante do computador, aproveitando o momento para atualizar o breviário, que sair de encontro ao torrencial sol da capital potiguar.

De antemão, e além dos inúmeros aprendizados deste 03 de setembro, a previsão de continuidade deste projeto, em forma de uma revista em formato PDF, totalmente confeccionada pelos participantes desta oficina. A saga pelo visto há de continuar e as novidades certamente serão postadas cá neste blog. Para desfecho deste breve relato, as palavras de Rodrigo: “A revista é por natureza um veículo de síntese, o timing é diferente do jornal”.

[Anton Roos]

Fotos, assim que possível. Detalhes do primeiro dia em Natal, idem.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Até que enfim, Natal!

Pela vidraça do ônibus a típica paisagem do sertão nordestino, o sol de rachar, criações de bode, mandacarus. À frente, estrada e mais estrada. Um percurso longo que volta e meia era cortado por rápidas passagens que variavam entre pequenos lugarejos e grandes cidades. A noite se torna mais longa ainda quando se tem pernas grandes e nenhuma possibilidade de conforto. O barulho, cansaço, odores e a conversa persistente do companheiro paraibano ao lado, que além de ter a mesma fronha de travesseiro que a minha, já estava me deixando mais louca ainda por roncar e espantar assim meu suposto sono. Ao longo do caminho muitos desceram e nós ali, agora mais perto do destino final, só faltavam 6 horas. Ao meio-dia de 02 de setembro desembarcamos em Natal, finalmente. E já não era sem tempo!


[Ana Lúcia Souza]

Longa Viagem

Logo que embarquei me pequei falando para mim mesma: que bom, irei pra Nata! Só que as horas começaram a passar e o cansaço começou a ser persistente, e logo já estava meio desanimada.

Quando comecei a prestar mais atenção nas paisagens de cada cidade, percebi que tudo isso valeria a pena, pois essa viagem está nos proporcionando grandes alegrias.

Passamos por lindas cidades e também por pequenos povoados que ficaram marcados por momentos bons e ruins. Mas suas belezas e peculiaridades deixarão marcadas para sempre só os momentos bons, pois todos eles deixaram lembranças diferenciadas em cada um de nós.

[Simone Chaves]


Santos, o motorista

Quando Santos chegou tínhamos acabado de jantar, ou quase isso. O badalar das dez da noite de segunda-feira estava próximo, e a ponte entre Juazeiro e Petrolina fazia parte do passado. A opção alimentar daquela parada, passou longe de ter sido a melhor escolha. Misto quente. Todavia, foi a melhor alternativa a fim de se evitar uma senhora pratada de arroz com feijão.

Juazeiro e Petrolina são vizinhas. Uma pertence a Bahia outra à Pernambuco, porém nada as impede de trocarem figurinhas vez ou outra, obra de seus moradores e filhos. Segundo o burburinho dos passageiros do Planaltão: Goiânia – Natal, serviu de inspiração para Luis Gonzaga em uma de suas canções.

Para nós, estafados de um dia inteiro rolando a poupança de um lado a outro, a Bahia fazia parte de uma estatística, tipo, passamos por aqui e daqui pra frente é Paraíba e Rio Grande do Norte. Para Santos, também, ossos do ofício. Conduzir os passageiros do ônibus até Pombal/PB.

Do tipo brincalhão, Santos entrou no ônibus com o intuito de ganhar de cara aqueles que conduzia. Conseguiu. Fez piadinha, caretas e transformou, por instantes, a longa noite de travessia pela “rota da maconha” em Pernambuco, algo no mínimo incomum.

Cá estamos, sãos, salvos e com as caretas do Santos na memória.


[Anton Roos]

Enfim Pombal-PB

Terça-feira, algo em torno de 06 horas da manhã, e a triste notícia de mais 06 até o tão esperado encontro com o Papai Noel. As quatro belas moças Fasbianas admiram um pequeno belo rapaz vestido de bombeiro.

Até que surge a pergunta quase que coletiva: onde estamos mesmo? Eu, aparentemente ainda sonolenta respondo prontamente que estamos em Pombal. Resposta esta, vaga e simplória demais para o grupo de Focas.
Moço da Pipoca, onde é Pombal? Pergunta óbvia, resposta óbvia: Aqui. Claro que ainda não satisfeita: Então, mas é o quê? Pernambuco?... Não, não, Pernambuco ficou lá pra trás, completa o paciente Moço da Pipoca... Mas pra onde vocês vão? (ele também desperta a alma foca) Vamos para Natal... -Há então não se preocupa não moça, tá pertinho, aqui já é Paraíba!

Enfim Pombal... Enfim a Paraíba... Ou melhor: Enfim o Recanto de Mardenzinho.


[Thiara Reges]

Meio dia às nove e meia



Ladeira. Ônibus parado. “Quinze minutos” avisa o motorista. É tempo dos cinco fasbianos metidos nessa louca aventura, finalmente, conversarem sobre a viagem e o tudo que pode acontecer nos dias de congresso na capital potiguar.

Olho no relógio. Nove e meia da manhã. Novo olhar, não é possível. A madrugada de Barreiras parece tão distante, um sonho bom, apesar da sensação de torpor abaixo da nuca. Era o almoço que esperavamos. Na falta de, muita água para recarregar as energias.




Foto: Ana Lúcia


Seabra, o calor é fatigante. Ana Lúcia anuncia: a fronha do travesseiro é igual a minha. Como? Sim, a fronha do travesseiro é igual a minha. Com os ouvidos mezzo embaralhados pelo zunido do ônibus, retrucamos: Você babou na fronha do travesseiro ao seu lado?

Não, não. A fronha do travesseiro é igual a minha, repete Ana. Bingo. Primeira coincidência. Poltronas 15 e 16. Mesmas fronhas de travesseiro. E olha que eram apenas nove e meia da manhã do primeiro dia, e ainda estávamos na Bahia de todos os santos e casos, e acasos.




[Anton Roos]

Contrastes no meio do caminho


Eram 3:00 da manhã quando saímos de Barreiras-BA. No início tudo parecia confortável, a poltrona, o ar-condicionado, o balanço. Neste primeiro dia passamos cortando nosso estado de origem, a Bahia. Vimos o amanhecer em cima da ponte do Velho Chico em Ibotirama (este que no momento estava com o nível muito baixo, em função da estiagem); os chapadões nas proximidades de Seabra, e até o puro sertão baiano.

Ao ver aquelas paisagens áridas, sem cores e ardida me recordaram de histórias que caberiam perfeitamente para ilustração daquele cenário. Uma foi a narrativa de Graciliano Ramos, Vidas Secas, vi muitos Fabianos, muitas baleias que a princípio, eu imaginava estavam muito distantes da minha realidade.

A outra se refere ao trecho de um dos poemas de Drummmond ao qual ele fala "No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho". Essas pedras ao qual eu me refiro usando esse exemplo são as pedras sociais, a desigualdade social mostrada impregnada nas estradas por onde passamos.

Tantas paisagens, tantos lugares diferentes que eu ainda não conhecia. Nossa quanto o Brasil é um país de contrastes... um país tão grande que se visto e interpretado através dos caminhos percorridos de sul a norte é muito diferente, nem parece ser o mesmo.

O dia termina em Juazeiro, divisa com Petrolina primeira cidade do Pernambuco. A Bahia ficou pra trás, o segundo e último dia de viagem veio trazendo o cansaço o mau-humor, e a ansiedade de chegar em Natal tanto para se divertir quanto para absorver o máximo de informações e experiências no Intercom.

[Bruna Pires]